                   Paulo Coelho

                    O Manual
       do guerreiro da luz




Edio especial da pgina www.paulocoelho.com.br , venda proibida
   Prlogo

    "Na praia a leste da aldeia existe uma ilha, com um
gigantesco templo, cheio de sinos", disse a mulher.
   O menino jamais a vira por ali; reparou que ela vestia
roupas estranhas, e tinha um vu cobrindo os cabelos.
   "Voc j viu este templo? " perguntou ela. "V l e me
conte o que acha dele".

    Seduzido pela beleza da mulher, o menino foi at o
lugar indicado. Sentou-se na areia e olhou o horizonte, mas
no viu nada alm do que estava acostumado a ver: o cu
azul que se juntava ao oceano.
    Decepcionado, caminhou at um povoado de
pescadores vizinho, para perguntar se j haviam escutado
falar de uma ilha com um templo.
       "Ah, isto foi h muito tempo atrs, no tempo em que
os meus bisavs moravam por aqui" - disse um velho
pescador. - "Mas houve um terremoto, e a ilha afundou
no mar. Entretanto, embora j no possamos mais ver a
ilha, ainda conseguimos escutar os sinos do seu templo,
quando o mar os faz balanar l no fundo".
       O menino voltou para a praia, e tentou escutar os
sinos. Passou a tarde inteira ali, mas s conseguiu ouvir o
rudo das ondas e os gritos das gaivotas.
    Quando a noite chegou, seus pais vieram busc-lo. Mas,
na manh seguinte, e ele voltou para a praia; a imagem da
bela mulher no lhe saa da cabea, e ele no podia
acreditar que uma pessoa to linda pudesse contar
mentiras. Se algum dia ela voltasse, poderia dizer que no
vira a ilha, mas escutara os sinos do templo, que o
movimento da gua fazia tocar.
    Assim se passaram muitos meses; a mulher no voltou,
e o garoto a esqueceu; mas continuava a se lembrar que
havia um templo debaixo d'gua, e num templo sempre
existem riquezas e tesouros. Se escutasse os sinos, o
menino teria certeza de que eles falavam a verdade; assim
quando ficasse grande, poderia juntar dinheiro suficiente
para fazer uma expedio e resgatar o tesouro ali
escondido.


    J no se interessava mais pela escola, nem pela sua
turma de amigos. Transformou-se no gracejo preferido das
outras crianas, que costumavam dizer: "ele no  mais
como ns. Prefere ficar olhando o mar, e evita jogar
conosco, porque tem medo de perder".
    E todos riam, vendo menino sentado na beira da praia.
    Embora no conseguisse escutar os velhos sinos do
templo, o menino - a cada manh - ia aprendendo coisas
diferentes. Comeou a perceber que, de tanto ouvir o rudo
das ondas, j no se deixava distrair por elas. Pouco tempo
depois, acostumou-se tambm com os gritos das gaivotas,
o zumbido das abelhas, o vento batendo nas folhas das
palmeiras.
    Seis meses depois de sua primeira conversa com o
mulher, o menino j era capaz de no se deixar distrair por
nenhum barulho - mas tampouco escutava os sinos do
templo afundado.
   Outros pescadores vieram falar com ele, e insistiam:
"ns ouvimos!", diziam.
   Mas o garoto no conseguia.
   Algum tempo depois, os pescadores mudaram de
conversa: "voc est muito preocupado com o barulho dos
sinos l embaixo; deixa isto para l e volte a brincar com
seus amigos. Talvez apenas os pescadores consigam
escut-los".


    Depois de quase um ano, o menino resolveu desistir:
"talvez estes homens tenham razo.  melhor crescer,
tornar-me pescador, e voltar todas as manhs para esta
praia; ento eu ouvirei os sinos." E pensou tambm:
"talvez isto tudo seja uma lenda, e - com o terremoto - os
sinos se tenham quebrado e jamais tornem a tocar. "


    Naquela tarde, resolveu voltar para casa.
    Aproximou-se do oceano, para despedir-se. Olhou mais
uma vez a natureza, e - como j que no estava mais
preocupado com sinos - pode sorrir com beleza do canto
das gaivotas, o barulho do mar, o vento batendo nas folhas
das palmeiras. Escutou ao longe a voz de seus amigos
brincando, e sentiu-se alegre por saber que podia voltar aos
jogos de sua infncia. Talvez rissem dele, mas longo
esqueceriam o ocorrido, e o aceitariam de volta.
    O menino estava contente, e - da maneira que s uma
criana sabe fazer - agradeceu por estar vivo. Tinha certeza
de que no perdera o seu tempo, pois aprendera a
contemplar e reverenciar a Natureza.
    Ento, porque escutava o mar, as gaivotas, o vento, as
folhas das palmeiras, e as vozes de seus amigos brincando,
ouviu tambm o primeiro sino.
    E outro.
    E mais outro, ate' que todos os sinos do templo
afundado tocaram, para a sua alegria.

    Anos depois - j um homem - ele voltou  aldeia e 
praia da sua infncia. No pretendia resgatar nenhum
tesouro do fundo do mar; talvez aquilo tudo fosse fruto de
sua imaginao infantil, e jamais escutara mesmo os sinos
submersos. Mesmo assim, resolveu ir at a praia, para
ouvir o barulho do vento e o canto das gaivotas.
    Qual foi sua surpresa ao ver, sentada na areia, a
mulher que primeiro lhe falara da ilha com seu templo .
    "O que faz aqui? " perguntou.
    "Esperava voc", respondeu ela.
    Ele reparou que - embora j muitos anos se tivessem
passado - a mulher ainda conservava a mesma aparncia; o
mesmo vu escondia seus cabelos, e no parecia desbotado
pelo tempo.
    Ela estendeu-lhe um caderno azul, com as folhas em
branco.
    "Escreve: um guerreiro da luz presta ateno nos olhos
de uma criana. Porque elas sabem ver o mundo sem
amargura. Quando ele deseja saber se a pessoa ao seu lado
 digna de sua confiana, procura ver como uma criana a
olha".
    "O que  um guerreiro da luz? ".
    "Voc sabe", respondeu ela, sorrindo. " aquele que 
capaz de entender o milagre da vida, lutar at o final por
algo em que acredita, e - ento - escutar os sinos que o mar
faz tocar em seu leito".
    Ele jamais se julgara um guerreiro da luz. A mulher
pareceu adivinhar seu pensamento.
    "Todos so capazes disto. E ningum se julga guerreiro
da luz, embora todos sejam."
    Ele olhou as pginas do caderno.
    "Que tal se voc resolvesse falar um pouco disso?"
perguntou. "Eu poderia anotar suas palavras".
    A mulher sorriu de novo.
    " Foi para isto que eu trouxe o caderno", ela disse.
"Escreve".
   O MANUAL
      DO
GUERREIRO DA LUZ
    Um guerreiro da luz nunca esquece a gratido.
    Durante a luta, foi ajudado pelos anjos; as foras celestiais
colocaram cada coisa em seu lugar, e permitiram que ele pudesse
dar o melhor de si.
     Os companheiros comentam: "como tem sorte!". E o
guerreiro s vezes consegue muito mais do que sua capacidade
permite.
     Por isso, quando o sol se pe, ajoelha-se e agradece o
Manto Protetor a sua volta.
    Sua gratido, porm, no se limita ao mundo espiritual; ele
jamais esquece os amigos, porque o sangue deles se misturou
ao seu no campo de batalha.
    Um guerreiro no precisa que ningum lhe recorde a ajuda
dos outros; ele se lembra sozinho, e divide com eles a
recompensa.
     Todos os caminhos do mundo levam ao corao do
guerreiro; ele mergulha sem hesitar no rio de paixes que
sempre corre por sua vida.
       O guerreiro sabe que  livre para escolher o que desejar;
suas decises so tomadas com coragem, desprendimento, e - as
vezes - com uma certa dose de loucura.
       Aceita suas paixes, e as desfruta intensamente. Sabe
que no  preciso renunciar ao entusiasmo das conquistas; elas
fazem parte da vida, e alegra a todos que delas participam.
    Mas jamais perde de vista as coisas duradouras, e os laos
criados com solidez atravs do tempo.
    Um guerreiro sabe distinguir o que  passageiro, e o que 
definitivo.
     Um guerreiro da luz no conta apenas com suas foras; usa
tambm a energia do seu adversrio.
    Ao iniciar o combate, tudo que ele possui  o seu entusiasmo,
e os golpes que aprendeu enquanto treinava;  medida que a
luta avana, descobre que o entusiasmo e o treinamento no so
suficientes para vencer:  preciso experincia.
    Ento ele abre seu corao para o Universo, e pede a Deus
para inspir-lo, de modo que cada golpe do inimigo seja
tambm uma lio de defesa para ele.
    Os companheiros comentam: "como  supersticioso. Parou
a luta para rezar, e respeita os truques do adversrio".
    O guerreiro no responde a estas provocaes. Sabe que,
sem inspirao e experincia, no h treinamento que d
resultado.
       Um guerreiro da luz jamais trapaceia; mas sabe distrair
seu adversrio.
    Por mais ansioso que esteja, joga com os recursos da
estratgia para atingir seu objetivo. Quando percebe que est no
final de suas foras, faz com que o inimigo pense que no tem
pressa. Quando precisa atacar o lado direito, move as suas tropas
para o lado esquerdo. Se pretende iniciar a luta imediatamente,
finge que est com sono e prepara-se para dormir.
    Os amigos comentam: " vejam como perdeu seu
entusiasmo". Mas ele no d importncia aos comentrios,
porque os amigos no conhecem suas tticas de combate.
    Um guerreiro da luz sabe o que quer. E no precisa ficar
explicando.
       Comenta um sbio chins sobre as estratgias do guerreiro da
luz:
    "Faa seu inimigo acreditar que no conseguir grandes
recompensas se decidir atac-lo; desta maneira, voc diminuir
seu entusiasmo".
    "No tenha vergonha de retirar-se provisoriamente do
combate, se perceber que o inimigo est mais forte; o importante
no  a batalha isolada, mas o final da guerra".
    "Se voc estiver bastante forte, tampouco tenha vergonha de
fingir-se de fraco; isto faz seu inimigo perder a prudncia, e
atacar antes da hora".
    "Numa guerra, a capacidade de surpreender o adversrio 
a chave da vitria".
    " curioso", comenta o guerreiro da luz consigo. "Encontrei
tanta gente que - na primeira oportunidade - tenta mostrar o pior
de si. Esconde a fora interior atrs da agressividade; disfara o
medo da solido com o ar de independncia. No acredita na
prpria capacidade, mas vive pregando aos quatro ventos suas
virtudes".
    O guerreiro l estas mensagens em muitos homens e
mulheres que se conhece. Nunca se deixa enganar pelas
aparncias, e faz questo de permanecer em silncio quando
tentam impression-lo. Mas usa a ocasio para corrigir suas
falhas - j que as pessoas so sempre um bom espelho.
    Um guerreiro aproveita toda e qualquer oportunidade para
ensinar a si mesmo.
      O guerreiro da luz s vezes luta com quem ama.
      Aprendeu que o silncio significa o equilbrio absoluto
do corpo, do esprito, e da alma. O homem que preserva a sua
unidade, jamais  dominado pelas tempestades da existncia;
tem foras para ultrapassar as dificuldades e seguir adiante.
      Entretanto, muitas vezes sente-se desafiado por aqueles a
quem procura ensinar a arte da espada. Seus discpulos o
provocam para um combate.
      E o guerreiro mostra sua capacidade: com alguns golpes,
lana as armas dos alunos por terra, e a harmonia volta ao local
onde se renem.
      "Por que fazer isto, se s to superior?", pergunta um
viajante.
      "Porque, desta maneira, mantenho o dilogo", responde
o guerreiro.
    Um guerreiro da luz, antes de entrar num combate
importante, pergunta a si mesmo: "at que ponto desenvolvi
minha habilidade?".
    Ele sabe que as batalhas que travou no passado sempre
terminaram por ensinar alguma coisa. Entretanto, muitos destes
ensinamentos fizeram o guerreiro sofrer alm do necessrio.
Em mais de uma vez, ele perdeu seu tempo, lutando por uma
mentira.
    Mas os vitoriosos no repetem o mesmo erro.
    Um guerreiro no pode recusar a luta; mas sabe tambm
que no deve arriscar sentimentos importantes, em troca de
recompensas que no esto a altura do seu amor.
    Por isso o guerreiro s arrisca seu corao por algo que vale
a pena.
    Um guerreiro da luz respeita o principal ensinamento do I
Ching: "a perseverana  favorvel".
    Mas ele sabe que perseverana nada tem a ver com a
insistncia. Existem pocas que os combates se prolongam alm
do necessrio, exaurindo suas foras e enfraquecendo seu
entusiasmo.
    Nestes momentos, o guerreiro reflete: " uma guerra
prolongada termina destruindo o prprio pas vitorioso."
    Ento ele retira suas foras do campo de batalha, e d uma
trgua a si mesmo. Persevera em sua vontade, mas sabe esperar
o melhor momento para um novo ataque.
    Um guerreiro sempre volta  luta. Mas nunca faz isto por
teimosia - e sim porque nota a mudana no tempo.
    Um guerreiro da luz nota que certos momentos se repetem.
    Com freqncia se v diante dos mesmos problemas e
situaes que j havia enfrentado.
    Ento fica deprimido. Comea a pensar que  incapaz de
progredir na vida, j que os momentos difceis esto de volta.
    "J passei por isso", ele reclama com seu corao.
    "Realmente, voc j passou", responde o corao. "Mas
nunca ultrapassou".
   O guerreiro ento compreende que as experincias repetidas
tm uma nica finalidade: ensinar-lhe o que ainda no aprendeu.
       Ele passa a procurar uma soluo diferente para cada luta
repetida - at que encontra a maneira de venc-la.
    Um guerreiro da luz sempre faz algo fora do comum. Pode
danar na rua enquanto caminha para o trabalho. Ou olhar nos
olhos de um desconhecido e falar de amor  primeira vista. Um
guerreiro de vez em quando expe uma idia que pode
parecer ridcula, mas na qual acredita.
    Os guerreiros da luz se permitem tais dias.
    Ele no tem medo de chorar mgoas antigas, ou alegrar-se
com novas descobertas. Quando sente que chegou a hora, larga
tudo e parte para sua aventura to sonhada. Quando entende que
est no seu limite de sua resistncia, sai do combate, sem culpar-
se por ter feito uma ou duas loucuras inesperadas.
    Um guerreiro no passa seus dias tentando representar o
papel que os outros escolheram para ele.
    Os guerreiros da luz mantm o brilho nos olhos.
    Esto no mundo, fazem parte da vida de outras pessoas, e
comearam sua jornada sem alforge e sem sandlias. Muitas
vezes so covardes. Nem sempre agem certo.
    Os guerreiros da luz sofrem por coisas inteis, tem atitudes
mesquinhas, e s vezes se julgam incapazes de crescer.
Frequente-mente acreditam-se indignos de qualquer beno ou
milagre.
    Os guerreiros da luz nem sempre tem certeza do que esto
fazendo aqui. Muitas vezes passam noites em claro, achando
que suas vidas no tem sentido.
    Por isso so guerreiros da luz. Porque erram. Porque se
perguntam. Porque procuram uma razo - e com certeza vo
encontr-la.
     O guerreiro da luz no tem medo de parecer louco.
    Ele fala em voz alta consigo mesmo, quando est sozinho.
Algum lhe ensinou que esta  a melhor maneira de se
comunicar com os anjos, e ele arrisca o contacto.
     No comeo, nota como  difcil. Pensa que nada tem a
dizer, que vai ficar repetindo bobagens sem sentido.
    Mesmo assim, o guerreiro insiste. Todo dia conversa com seu
corao. Diz coisas com as quais no concorda, fala bobagens.
     Um dia, percebe a mudana em sua voz. E entende que
est canalizando uma sabedoria maior.
 O guerreiro parece louco, mas isto  apenas um disfarce. Ousou
buscar junto a seu anjo as informaes que precisava, conseguiu
receb-las.
       Diz um poeta: "o guerreiro da luz escolhe seus inimigos".
    O guerreiro sabe do que  capaz. No precisa sair pelo
mundo contando suas qualidades e virtudes. Entretanto - como
no velho Oeste - a todo o momento aparece algum querendo
provar que  melhor que ele.
    O guerreiro sabe que no existe "melhor" ou "pior": cada um
tem os dons necessrios para o seu caminho individual.
    Mas certas pessoas insistem. Provocam, ofendem, fazem de
tudo para irrit-lo. Neste momento, o corao do guerreiro diz:
"no aceite as ofensas, elas no vo aumentar a sua habilidade.
Voc vai se cansar  toa".
    Um guerreiro da luz no perde seu tempo escutando
provocaes; ele tem um destino a ser cumprido.
    O guerreiro da luz a toda hora recorda um trecho de John
Bunyan:
    "Embora tenha passado por tudo que passei, no me
arrependo dos problemas em que me meti - porque foram eles
que me trouxeram at onde desejei chegar. Agora, j perto da
morte, tudo que tenho  esta espada, e a entrego para todo aquele
que desejar seguir sua peregrinao. Levo comigo as marcas e
cicatrizes dos combates - elas so testemunhas do que vivi, e
recompensas do que conquistei.
    "So estas marcas e cicatrizes queridas que vo me abrir as
portas do Paraso. Houve poca em que vivi escutando
histrias de bravura. Houve poca em que vivi apenas porque
precisava viver. Mas agora vivo porque sou um guerreiro, e
porque quero um dia estar na companhia Daquele por quem tanto
lutei."
       No momento em que comea a andar, um guerreiro da luz
reconhece o Caminho.
    Cada pedra, cada curva, lhe d as boas vindas. Ele
identifica-se com as montanhas e riachos, v um pouco de sua
alma nas plantas, nos animais, e nas aves do campo.
    Ento, aceitando a ajuda de Deus e dos Sinais de Deus,
deixa que sua Lenda Pessoal o guie em direo as tarefas que a
vida lhe reserva.
    Em certas noites no tem onde dormir, em outras sofre de
insnia. "Isto faz parte", pensa o guerreiro. "Fui eu quem
decidiu seguir por aqui".
    Nesta frase est' todo o seu poder. Ele escolheu a estrada por
onde caminha agora, e no tem do que reclamar.
    Daqui por diante - e por algumas centenas de anos - o
Universo vai ajudar os guerreiros da luz, e boicotar os
preconceituosos.
    A energia da Terra precisa ser renovada.
    As idias novas precisam de espao.
      O corpo e a alma precisam de novos desafios.
 O futuro virou presente, e todos os sonhos - exceto os que
envolvem preconceitos - tero chance de se manifestar.
       O que for importante, ficar; o que for intil,
desaparecer. O guerreiro, porm, sabe que no est encarregado
de julgar os sonhos do prximo, e no perde tempo criticando
as decises alheias.
      Para ter f em seu prprio caminho, no precisa provar
que o caminho do outro est errado. Quem age assim, no
confia nos prprios passos.
       Um guerreiro da luz estuda com muito cuidado a posio
que pretende conquistar.
    Por mais difcil que seja o seu objetivo, sempre existe uma
maneira de superar os obstculos. Ele verifica os caminhos
alternativos, afia sua espada, e procura encher seu corao da
perseverana necessria para enfrentar o desafio.
    Mas,  medida que avana, o guerreiro se d conta que
existem dificuldades com as quais no contava.
     Se ficar esperando o momento ideal, nunca sair do lugar;
v que ser preciso um pouco de loucura para dar um prximo
passo.
    O guerreiro usa um pouco de loucura. Porque - na guerra e
no amor - no  possvel prever tudo.
    Um guerreiro da luz conhece seus defeitos. Mas conhece
tambm suas qualidades.
    Alguns companheiros queixam-se o tempo todo: "os outros
tem mais oportunidade que ns".
      Talvez tenham razo; mas um guerreiro no se deixa
paralisar por isto; ele procura valorizar ao mximo as suas
virtudes.
    Sabe que o poder da gazela  a habilidade de suas pernas. O
poder da gaivota  sua pontaria para atingir o peixe. Aprendeu
que um tigre no tem medo da hiena, porque  consciente de sua
fora.
    Um guerreiro procura saber com que pode contar. Sempre
verifica seu equipamento, composto de trs coisas: f, esperana,
e amor.
     Se os trs esto presentes, ele no hesita em seguir
adiante.
  O guerreiro da luz sabe que ningum  tolo, e a vida ensina a
todos - mesmo que isto exija tempo.
    Ento ele trata seu prximo de acordo com qualidades v, e
procura mostrar a todo mundo o quanto cada um  capaz.
    Alguns companheiros comentam: "existem pessoas ingratas".
    O guerreiro no se abala com isto. E continua estimulando os
outros, porque  uma maneira de estimular a si mesmo.
       Todo guerreiro da luz j ficou com medo de entrar em
combate.
    Todo guerreiro da luz j traiu e mentiu no passado.
    Todo guerreiro da luz j perdeu a f no futuro.
    Todo guerreiro da luz j trilhou um caminho que no era o
dele.
    Todo guerreiro da luz j sofreu por coisas sem importncia.
    Todo guerreiro da luz j achou que no era guerreiro da luz.
    Todo guerreiro da luz j falhou em suas obrigaes
espirituais.
    Todo guerreiro da luz j disse sim quando queria dizer no.
    Todo guerreiro da luz j feriu algum que amava.
    Por isso  um guerreiro da luz; porque passou por tudo isso,
e no perdeu a esperana de ser melhor do que era.
    O guerreiro sempre ouve as palavras de alguns
pregadores antigos, como as de T.H. Huxley:
    "As conseqncias de nossas aes so espantalhos para
os covardes, e raios de luz para os sbios.
    "O tabuleiro de xadrez  o mundo. As peas so os gestos
de nossa vida diria; as regras so as chamadas leis da natureza.
No podemos enxergar o Jogador que est do outro lado do
tabuleiro, mas sabemos que Ele  justo, honesto, e paciente".

    Cabe ao guerreiro aceitar o desafio. Ele sabe que Deus no
deixa passar um s erro daqueles que ama, e no permite que
seus preferidos finjam desconhecer as regras do jogo.
    Um guerreiro da luz no adia suas decises.
    Ele reflete bastante antes de agir; considera seu treinamento,
sua responsabilidade, e seu dever com o mestre. Procura manter
a serenidade, e analisa cada passo como se fosse o mais
importante.
    Entretanto, no momento em que toma uma deciso, o
guerreiro segue adiante: no tem mais dvidas sobre o que
escolheu, nem muda de percurso se as circunstancias forem
diferentes do que imaginava.
    Se sua deciso foi correta, vencer o combate - mesmo que
dure mais do que o previsto. Se sua deciso foi errada, ele ser
derrotado, e ter que recomear tudo de novo - com mais
sabedoria..
    Mas um guerreiro da luz, quando comea, vai at o fim.
    Um guerreiro sabe que seus melhores mestres so as pessoas
com quem divide o campo de batalha.
     perigoso pedir um conselho.  muito mais arriscado
dar um conselho. Quando ele precisa de ajuda, procura ver
como seus amigos resolvem - ou no resolvem - seus
problemas.
    Se est em busca de inspirao, l nos lbios de seu vizinho
as palavras que seu anjo da guarda quer lhe dizer.
    Quando est cansado ou solitrio, no sonha com mulheres e
homens distantes; procura quem est ao seu lado, e divide a sua
dor ou a sua necessidade de carinho - com prazer e sem culpa.
    Um guerreiro sabe que a estrela mais distante do Universo
se manifesta no mundo a sua volta.
       Um guerreiro da luz divide seu mundo com as pessoas
que ama. Procura anim-las a fazer o que gostariam, mas no
tem coragem.
    Nestes momentos, o adversrio aparece com duas tbuas na
mo.
    Numa das tbuas est escrito: "Pense mais em voc.
Conserve as bnos para si mesmo, ou vai terminar perdendo
tudo".
    Na outra tbua, l: "quem  voc para ajudar os outros? Ser
que no consegue ver os prprios defeitos?".
    Um guerreiro sabe que tem defeitos. Mas sabe tambm que
no pode crescer sozinho, e distanciar-se de seus companheiros.
    Ento, ele atira as duas tbuas no cho, mesmo achando que
elas contm um fundo de verdade. Elas se transformam em p, e
o guerreiro continua ajudando a quem est perto.
    O sbio Lao Tzu comenta a jornada do guerreiro da luz:
    "O Caminho inclui o respeito por tudo que  pequeno e
sutil. Conhea sempre o momento de tomar as atitudes
necessrias.
    "Mesmo que j tenha atirado diversas vezes com o arco,
continue prestando ateno na maneira como coloca a flecha, e
como estende o fio.
    "Quando o iniciante est consciente de suas necessidades,
termina sendo mais inteligente que o sbio distrado.
    "Acumular amor significa sorte, acumular dio significa
calamidade. Quem no reconhece a porta dos problemas, termina
deixando-a aberta, e as tragdias surgem."
    "O combate nada tem a ver com a briga."
       O guerreiro da luz medita. Senta-se em um lugar tranquilo
da sua tenda, e entrega-se a luz divina.
    Ao fazer isto, procura no pensar em nada; desliga-se da
busca de prazeres, dos desafios e das revelaes - e deixa que
seus dons e seus poderes se manifestem.
    Mesmo que no os perceba na mesma hora, estes dons e
poderes esto tomando conta de sua vida, e vo influir no seu
cotidiano.
    Enquanto medita, o guerreiro no  ele, mas uma centelha
da Alma do Mundo. So estes momentos que lhe permitem
entender sua responsabilidade, e agir de acordo com ela.
    Um guerreiro da luz sabe que - no silncio do seu corao,
existe uma ordem que o orienta.
    "Quando tenho o arco esticado", diz Herrigel ao seu mestre
zen , "chega um momento em que, se no disparo
imediatamente, sinto que vou perder o flego".
    "Enquanto voc tentar provocar o momento de disparar a
flecha, no ir aprender a arte dos arqueiros", diz o mestre. " A
mo que estica o arco deve abrir-se como a mo de um
menino. O que as vezes atrapalha a preciso do tiro,  a
vontade demasiado ativa do arqueiro".

     Um guerreiro da luz s vezes pensa: "aquilo que eu no
fizer, no ser feito".
    No  bem assim: ele deve agir, mas deve tambm deixar que
o Universo atue em seu devido momento.
       Um guerreiro, quando sofre uma injustia, geralmente
procura ficar sozinho - para no mostrar sua dor aos outros.
        um comportamento  bom e mau ao mesmo tempo.
     Uma coisa  deixar que seu corao cure lentamente as
prprias feridas. Outra coisa  ficar em meditao profunda todo
o dia, com medo de parecer fraco.
     Dentro de cada um de ns existe um anjo e um demnio, e
suas vozes so muito parecidas. Diante da dificuldade, o
demnio alimenta esta conversa solitria, procurando nos mostrar
como somos vulnerveis. O anjo nos faz refletir sobre nossas
atitudes, e s vezes precisa da boca de algum para se
manifestar.
     Um guerreiro equilibra solido e dependncia  ajuda dos
outros.
       Um guerreiro da luz precisa de amor. O afeto e o carinho
fazem parte de sua natureza - tanto quanto o comer, o beber, e o
gosto pelo Bom Combate.
    Quando o guerreiro no est feliz diante do pr-do-sol,
alguma coisa est errada.
    Neste momento, o guerreiro interrompe o combate e vai em
busca de companhia, para assistirem juntos ao entardecer.
    Se tiver dificuldades em encontr-la, pergunta a si mesmo:
"tive medo de me aproximar de algum? Recebi afeto, e no
percebi?".
     Um guerreiro da luz usa a solido, mas no  usado por ela.
    O guerreiro da luz sabe que  impossvel viver em estado
de completo relaxamento.
     Aprendeu com o arqueiro que, para disparar sua seta a
distancia,  preciso manter o arco bem esticado. Aprendeu com
as estrelas que s a exploso interior permite seu brilho. O
guerreiro repara que o cavalo, no momento de ultrapassar um
obstculo, contrai todos os seus msculos.
     Mas ele jamais confunde tenso com nervosismo.
       O guerreiro da luz sempre consegue equilibrar Rigor e
Misericrdia. Para atingir seu sonho, precisa de uma vontade
firme - e de uma imensa capacidade de entrega.
       Embora tenha um objetivo, nem sempre o caminho para
atingi-lo  aquele que imagina.
    Por isso, o guerreiro usa a disciplina e a compaixo. Deus
jamais abandona seus filhos - mas Seus desgnios da Providncia
so insondveis, e Ele constri nossa estrada usando nossos
prprios passos.
    Usando a disciplina e a entrega, o guerreiro no deixa que
seus gestos se transformem em rotina. O hbito nunca pode
comandar movimentos importantes.
       O guerreiro da luz as vezes se comporta como gua, e flui
por entre os muitos obstculos que encontra.
    Em certos momentos, resistir significa ser destrudo.Nestas
horas, ele se adapta as circunstncias. Aceita, sem reclamar, que
as pedras do caminho tracem seu rumo atravs das montanhas.
    Nisto reside a fora da gua: ela jamais pode ser quebrada
por um martelo, ou ferida por uma faca. A mais poderosa
espada do mundo  incapaz de deixar uma cicatriz em sua
superfcie.
    A gua de um rio adapta-se ao caminho que  possvel, sem
esquecer do seu objetivo: o mar. Frgil em sua nascente, aos
poucos vai ganhando a fora dos outros rios que encontra.
    E, a partir de determinado momento, seu poder  total.
       Para o guerreiro da luz, no existe nada abstrato. Tudo
 concreto, e tudo lhe diz respeito.
    Ele no est sentado no conforto de sua tenda, observando o
que acontece no mundo. O guerreiro da luz aceita cada desafio
como uma oportunidade que tem para trans-formar a si mesmo.
    Alguns de seus companheiros passam a vida criticando a
falta de escolha, ou comentando as decises alheias. O guerreiro,
porm, transforma seu pensamento em ao.
     Algumas vezes ele erra o objetivo, e paga - sem reclamar -
o preo de seu erro. Outras vezes desvia-se do caminho, e
perde muito tempo voltando ao destino original.
     Mas um guerreiro no se distrai.
       Um guerreiro da luz tem as qualidades de uma rocha.
       Quando est em terreno plano - tudo a sua volta encontrou
a harmonia - ele se mantem estvel. As pessoas podem construir
suas casas em cima do que foi criado por ele, porque a
tempestade no ser destruidora.
       Quando, porm, o colocam em terreno inclinado - e as
coisas a sua volta no demonstram qualquer respeito ou
equilbrio por seu trabalho- ele revela sua fora, rolando em
direo ao inimigo que ameaa a paz . Nestes momentos, o
guerreiro  devastador, e ningum consegue det-lo.
       Um guerreiro da luz pensa na guerra e na paz ao mesmo
tempo, e sabe agir de acordo com as circunstncias.
       Um guerreiro da luz que confia demais na sua inteligncia,
acaba por subestimar o poder do adversrio.
        preciso no esquecer: h momentos em que a fora 
mais eficaz que a sagacidade.
              Uma tourada dura quinze minutos; o touro aprende
rpido que est sendo enganado - e seu prximo passo  partir
para cima do toureiro. Quando isto acontece, no h brilho,
argumento, inteligncia, ou charme que possam evitar a tragdia.
       Por isso, o guerreiro nunca subestima a fora bruta.
Quando ela  violenta demais, ele se retira do campo de batalha -
at que o inimigo desgaste sua energia.
       O guerreiro da luz sabe reconhecer um inimigo mais forte
que ele.
       Se resolver enfrent-lo, ser imediatamente destrudo. Se
aceitar suas provocaes, cair na armadilha.
       Ento, ele usa a diplomacia para superar a difcil situao
em que se encontra. Quando o inimigo age como um beb, ele
faz o mesmo. Quando o chama para o combate, ele finge-se de
desentendido.
       Os amigos comentam: " um covarde".
        Mas o guerreiro no liga para o comentrio; sabe que toda
a raiva e coragem de um pssaro so inteis diante do gato.
       Em situaes como esta, o guerreiro tem pacincia. Logo o
inimigo partir para provocar outros.
       Um guerreiro da luz no olha a injustia com indiferena.
Sabe que tudo  uma coisa s, e cada ao individual afeta todos
os homens do planeta.
       Ento, quando est diante do sofrimento alheio, ele usa
sua espada para colocar as coisas em ordem.
       Mas, embora lute contra a opresso, em momento algum
procura julgar o opressor. Cada um responder por seus atos
diante de Deus, e - por isso - uma vez cumprida a sua tarefa, o
guerreiro no emite qualquer comentrio.
       Um guerreiro da luz est no mundo para ajudar seus
irmos, e no para condenar o seu prximo.
      Um guerreiro da luz nunca se acovarda.
      A fuga pode ser uma excelente arte de defesa, mas no
pode ser usada quando o medo  grande. Na dvida, o guerreiro
prefere enfrentar a derrota e depois curar suas feridas - porque
sabe que, se fugir, est dando ao agressor um poder maior do que
ele merece.
      Ele pode curar o sofrimento fsico, mas ser eternamente
perseguido por sua fraqueza espiritual.
      Diante de alguns momentos difceis e dolorosos, o
guerreiro encara a situao desvantajosa com herosmo,
resignao, e coragem.
       Um guerreiro da luz, nunca tem pressa. O tempo trabalha a
seu favor; ele aprende a dominar a impacincia, e evita gestos
impensados.
     Andando devagar, nota a firmeza de seus passos. Sabe que
participa de um momento decisivo da histria da humanidade, e
precisa mudar a si mesmo antes de transformar o mundo. Por isso
lembra-se das palavras de Lanza del Vasto: "uma revoluo
precisa de tempo para se instalar".
     Um guerreiro da luz nunca colhe o fruto enquanto ele ainda
est verde.
       Um guerreiro da luz precisa de pacincia e rapidez ao
mesmo tempo. Os dois maiores erros de uma estratgia so: agir
antes da hora, ou deixar que a oportunidade passe longe.
      Para evitar isto, o guerreiro trata cada situao como se
fosse nica, e no aplica frmulas, receitas, ou opinies alheias.

       O califa Moauiyat perguntou a Omr Ben Al-Aas qual era o
segredo de sua grande habilidade poltica:
       "Nunca me meti em assunto sem ter estudado previamente
a retirada; por outro lado, nunca entrei e quis logo sair correndo"
foi a resposta.
      Um guerreiro da luz muitas vezes desanima.
      Acha que nada tem a emoo que ele esperava despertar.
Muitas tardes e noites  obrigado a ficar sustentando uma posio
conquistada, sem que nenhum acontecimento novo venha lhe
devolver o entusiasmo.
      Seus amigos comentam: "talvez sua luta j tenha
terminado."
      O guerreiro sente dor e confuso ao escutar estes
comentrios porque sabe que no chegou onde queria. Mas 
teimoso, e no abandona o que decidiu fazer.
      Ento, quando menos espera, uma nova porta se abre.
      Um guerreiro da luz sempre mantm o seu corao limpo
do sentimento de dio. Quando caminha para a luta, lembra-se
de que disse Cristo: " amai vossos inimigos".
      E o guerreiro obedece.
     Mas sabe que o ato de perdoar no o obriga a aceitar tudo.
Um guerreiro no pode abaixar a cabea - seno perde de vista o
horizonte de seus sonhos.
      O guerreiro nota que os adversrios esto ali para testar
sua bravura, sua persistncia, sua capacidade de tomar
decises. So uma beno - porque eles que o obrigam a lutar
por seus sonhos.
       a experincia do combate que fortalece o guerreiro da
luz.
       O guerreiro lembra-se do passado. Conhece a Busca
Espiritual do homem, sabe que ela j escreveu algumas das
melhores pginas da histria.
    E alguns de seus piores captulos; massacres, sacrifcios,
obscurantismo. Foi usada para fins particulares, e viu seus ideais
servirem de escudo para intenes terrveis.
       O guerreiro j ouviu comentrios do tipo: "como vou
saber se este caminho  srio?".
       E viu muita gente abandonar a busca por no responder a
esta pergunta.
    O guerreiro no tem dvidas; segue uma frmula infalvel.
    "Pelos frutos, conhecereis a rvore", disse Jesus. Ele segue
esta regra, e no erra nunca.
      O guerreiro da luz conhece a importncia de sua intuio.
 No meio da batalha, ele no tem tempo para pensar nos golpes
do inimigo - ento usa seu instinto, e obedece ao seu anjo.
    Nos tempos de paz, ele decifra os sinais que Deus lhe envia.
    As pessoas dizem: "est louco".
     Ou ento: "vive num mundo de fantasia".
    Ou ainda:" como pode confiar em coisas que no tem
lgica?"
    Mas o guerreiro sabe que a intuio  o alfabeto de Deus, e
continua escutando o vento e falando com as estrelas.
    O guerreiro da luz senta-se com seus companheiros em torno
de uma fogueira. Comentam suas conquistas - e os estranhos que
se juntam ao grupo so bem-vindos, porque todos tm orgulho
de sua vida e do Bom Combate.
    O guerreiro sabe como  importante dividir sua experincia
com os outros. Fala com entusiasmo do caminho, conta como
resistiu a certo desafio, que soluo encontrou para um
momento difcil. Quando conta histrias, reveste suas palavras de
paixo e romantismo.
    As vezes se permite exagerar um pouco. Lembra-se que seus
antepassados tambm exageravam de vez em quando.
    Por isso um guerreiro da luz pode fazer a mesma coisa.Mas
sem jamais confundir orgulho com vaidade, e sem acreditar em
seus prprios exageros.
    "Sim", o guerreiro escuta algum dizer. "Eu preciso entender
tudo, antes de tomar uma deciso. Quero ter a liberdade de mudar
de idia".
        O guerreiro olha com desconfiana esta frase. Tambm ele
pode ter a mesma liberdade, mas isto no o impede de assumir
um compromisso, mesmo que no compreenda exatamente
porque fez isto.
    Um guerreiro da luz toma decises. Sua alma  livre como
as nuvens no cu, mas ele est comprometido com seu sonho. Em
seu caminho livremente escolhido, tem que acordar em horas
que no gosta, falar com gente que no lhe acrescenta nada,
fazer alguns sacrifcios.
    Os amigos comentam: "voc se sacrifica a toa. Voc no 
livre."
    O guerreiro  livre. Mas sabe que forno aberto no
cozinha po.
     "Em qualquer atividade,  preciso saber o que se deve
esperar, os meios de alcanar o objetivo, e a capacidade que
temos para a tarefa proposta.
    "S pode dizer que renunciou aos frutos aquele que,
estando assim equipado, no sente qualquer desejo pelos
resultados da conquista, e permanece absorvido no combate.
     "Pode-se renunciar ao fruto, mas esta renncia no significa
indiferena ao resultado".
       O guerreiro da luz escuta com respeito a estratgia de
Gandhi. E no se deixa confundir por pessoas que, incapazes de
chegar a qualquer resultado, vivem pregando a renncia.
      O guerreiro da luz presta ateno nas pequenas coisas,
porque elas podem atrapalhar muito.
    Um espinho, por menor que seja, faz o viajante interromper
seu passo. Uma pequena e invisvel clula pode destruir um
organismo sadio. A lembrana de um instante de medo no
passado, muitas vezes faz a covardia voltar a cada nova manh.
Uma frao de segundo abre a guarda para o golpe fatal do
inimigo.
      O guerreiro est atento as pequenas coisas. As vezes  duro
consigo mesmo, mas prefere agir desta maneira.
      "O diabo mora nos detalhes", diz um velho provrbio da
Tradio.
       O guerreiro da luz nem sempre tem f. H momentos em
que no cr em absolutamente nada.
    E pergunta ao seu corao: "Ser que vale a pena tanto
esforo?".
    Mas o corao continua calado. E o guerreiro tem que
decidir por si mesmo.
    Ento ele procura um exemplo. E lembra-se que Jesus passou
por algo semelhante - para poder viver a condio humana em
toda a sua plenitude.
    "Afasta de mim este clice", disse Jesus. Tambm ele
perdeu o nimo e a coragem, mas no parou.
       O guerreiro da luz continua sem f.
       Mas segue adiante assim mesmo, e a f termina voltando.
    O guerreiro sabe que nenhum homem  uma ilha, isolada no
meio do oceano.
     Sabe que no pode lutar sozinho; seja qual for o seu plano,
sempre depende de outras pessoas. Precisa discutir sua estratgia,
pedir ajuda, e - nos momentos de descanso - ter algum para
contar histrias de combate ao redor da fogueira.
    Mas ele no deixa que as pessoas confundam sua
camaradagem com insegurana. Ele e transparente em suas
aes, e secreto nos seus planos.
    Um guerreiro da luz dana com seus companheiros, mas no
transfere para ningum a responsabilidade de seus passos.
    No intervalo do combate, o guerreiro descansa.
    Muitas vezes passa dias sem fazer nada, porque seu corao
exige.
    Mas sua intuio permanece alerta. Ele no comete o pecado
capital da Preguia, porque sabe onde ela o pode conduzir: 
sensao morna das tardes de domingo, onde o tempo passa - e
nada mais.
    O guerreiro chama isto de "paz de cemitrio". Lembra-se de
um trecho do Apocalipse: te amaldio porque no s frio
nem quente. Oxal fosse frio ou quente! Mas, como s morno,
eu te vomitarei de minha boca.
    Um guerreiro descansa e ri. Mas est sempre atento.
    O guerreiro da luz sabe: todo mundo tem medo de todo
mundo.
    Este medo geralmente se manifesta de duas formas: atravs
da agressividade, ou atravs da submisso. So duas faces do
mesmo problema.
    Por isso, quando est diante de algum que lhe inspira temor,
o guerreiro se lembra: o outro tem as mesmas inseguranas
que ele. Passou por obstculos parecidos, viveu os mesmos
problemas.
    Mas est sabendo lidar melhor com a situao. Por que?
Porque ele utiliza o medo como motor, e no como um freio.
    Ento o guerreiro aprende com o adversrio, e age da mesma
maneira.
       Para o guerreiro, no existe amor impossvel. Ele no se
deixa intimidar pelo silencio, pela indiferena, ou pela
rejeio. Sabe que - atrs da mscara de gelo que as pessoas
usam - existe um corao de fogo.
    Por isso o guerreiro arrisca mais que os outros. Busca
incessantemente o amor de algum - mesmo que isto
signifique escutar muitas vezes a palavra "no", voltar para casa
derrotado, sentir-se rejeitado em corpo e alma.
    Um guerreiro no se deixa assustar quando busca o que
precisa. Sem amor, ele no  nada.
    O guerreiro da luz conhece o silncio que antecipa o
combate importante.
    E este silncio parece dizer: "as coisas pararam.  melhor
deixar a luta de lado, e divertir-se um pouco".
     Os combatentes sem experincia largam suas armas neste
momento, e queixam-se do tdio.
    O guerreiro est atento ao silncio; em algum lugar, algo
est acontecendo. Ele sabe que os terremotos destruidores
chegam sem aviso. J caminhou por florestas durante a noite;
quando os animais no fazem qualquer rudo, o perigo est
prximo.
     Enquanto os outros conversam, o guerreiro se adestra no
manejo da espada, e presta ateno no horizonte.
    O guerreiro da luz acredita. Assim como as crianas
acreditam.
    Porque cr em milagres, os milagres comeam a acontecer.
Porque tem certeza que seu pensamento pode mudar sua vida,
sua vida comea a mudar. Porque est certo que ir encontrar o
amor, este amor aparece.
    De vez em quando, se decepciona. As vezes, se machuca.
    E ento escuta os comentrios: "como  ingnuo!"
    Mas o guerreiro sabe que vale o preo. Para cada derrota,
tem duas conquistas a seu favor.
    Todos os que acreditam sabem disso.
    O guerreiro da luz aprendeu acredita que  melhor seguir a
luz. Ele j traiu, mentiu, desviou-se do seu caminho, cortejou as
trevas. E tudo continuou dando certo - como se nada tivesse
acontecido.
    Entretanto, um abismo chega de repente. Pode-se dar mil
passos seguros - e um simples passo a mais acaba com tudo.
Foi esta conscincia que o transformou no que .
    Ao tomar esta deciso, escutou quatro comentrios: "Voc
sempre agiu errado. Voc est velho demais para mudar. Voc
no  bom. Voc no merece".
    Ento olhou para o cu. E uma voz disse: "bem, meu caro,
todo mundo j fez coisas erradas. Voc est perdoado, mas no
posso forar este perdo. Decida-se".
    O verdadeiro guerreiro da luz aceita o perdo.
    O guerreiro da luz sempre procura melhorar.
    Cada golpe de sua espada traz consigo sculos de sabedoria
e meditao. Cada golpe precisa ter a fora, e a habilidade de
todos os guerreiros do passado, que ainda hoje continuam
abenoando a luta. Cada movimento no combate honra os
movimentos que as geraes anteriores procuraram transmitir
atravs da Tradio.
    O guerreiro desenvolve a beleza de seus golpes.
    Um guerreiro da luz  confivel. Comete alguns erros, as
vezes se julga mais importante do que realmente . Mas no
mente.
    Quando se rene ao redor da fogueira, conversa com seus
companheiros e companheiras. Sabe que as palavras saem de
sua boca ficam guardadas na memria do Universo, como um
atestado do que pensa.
    E o guerreiro reflete: "por que falo tanto, se muitas vezes no
sou capaz de fazer tudo que digo? " Esta  uma reflexo
importante.
    O corao responde: " quando voc defende publicamente
suas idias, ter que se esforar para viver de acordo com elas".
     E porque pensa que  o que fala, que o guerreiro acaba se
transformando no que diz ser.
    O guerreiro sabe que, de vez em quando, o combate 
interrompido. No adianta forar a luta;  necessrio ter
pacincia, esperar que as foras entrem novamente em choque.
       No silncio do campo de batalha, escuta as batidas de seu
corao. Repara que est tenso. Que tem medo.
    O guerreiro faz um balano de sua vida; v se a espada est
afiada, o corao satisfeito, a f incendiando a alma. Sabe que a
manuteno  to importante quanto a ao.
    Sempre tem algo faltando. E o guerreiro aproveita os
momentos em que o tempo se detm, para equipar-se melhor.
    Um guerreiro sabe que um anjo e um demnio disputam a
mo que segura a espada.
    Diz o demnio: "voc vai fraquejar. Voc no vai saber o
momento exato. Voc est com medo."
    Diz o anjo: "voc vai fraquejar. Voc no vai saber o
momento exato. Voc est com medo".
    O guerreiro fica surpreso. Ambos disseram a mesma coisa.
    Ento o demnio continua: "deixa que eu te ajudo".
    E diz o anjo: "eu te ajudo".
    Nesta hora, o guerreiro percebe a diferena. As palavras so
as mesmas, mas os aliados so diferentes.
    Ento ele dedica sua vitria a Deus. E, com a confiana dos
valentes, escolhe a mo de seu anjo.
    Toda vez que uma espada sai da bainha, precisa ser usada.
Pode servir para abrir um caminho, ajudar algum, ou afastar o
perigo - mas uma espada  caprichosa, e no gosta de ver sua
lmina exposta sem razo.
    Por isso, um guerreiro jamais faz ameaas. Ele pode atacar,
defender-se, ou fugir; qualquer uma destas atitudes faz parte
do combate.
    O que no faz parte do combate  desperdiar a fora de um
golpe, falando sobre ele.
    Um guerreiro est sempre atento aos movimentos de sua
espada. Mas no pode esquecer que a espada tambm presta
ateno aos seus movimentos.
    Ela no foi feita para ser usada com a boca.
    As vezes o mal persegue o guerreiro. Ento, com
tranqilidade, ele o convida para a sua tenda.
       O guerreiro pergunta ao mal: "voc quer me ferir, ou me
usar para ferir os outros?"
       O mal finge no ouvir.Diz que conhece as trevas da alma
do guerreiro. Toca em feridas no cicatrizadas, e clama vingana.
Lembra que conhece algumas armadilhas e venenos sutis que
ajudaro o guerreiro a destruir todos os inimigos.
    O guerreiro da luz escuta. Se o mal se distrai, ele faz com
que retome a conversa, e pede detalhes de todos seus projetos.
    Depois de ouvir tudo, levanta-se e vai embora. O mal falou
tanto, est to cansado e to vazio, que no conseguira
acompanh-lo.
    O guerreiro - sem querer - d um passo em falso e mergulha
no abismo. Os fantasmas o assustam, a solido o atormenta.
Como sempre procurou o Bom Combate, no pensava que isto
fosse acontecer com ele.
    Mas aconteceu. Envolto pela escurido, ele se comunica com
seu mestre.
    "Mestre, ca no abismo", diz . "As guas so fundas e
escuras"
    "Lembra-te de uma coisa", responde o mestre. "O que
afoga algum no  o mergulho, mas o fato de permanecer
debaixo d'gua".
    E isto faz o guerreiro usar a sua foras para sair da situao
em que se encontra.
    O guerreiro da luz comporta-se como uma criana.
    As pessoas ficam chocadas. Esqueceram que uma criana
precisa divertir-se, brincar, ser um pouco irreverente, fazer
perguntas inconvenientes e imaturas, dizer tolices nas quais nem
ele mesmo acredita.
    As pessoas perguntam horrorizadas: " isso o caminho
espiritual? Ele no tem maturidade!".
    O guerreiro se orgulha com este comentrio. E mantem-se em
contacto com Deus, atravs de sua inocncia e alegria. Mas
nunca perde de vista sua misso.
    A raiz latina da palavra "responsabilidade" desvenda o seu
significado: capacidade de responder, de reagir.
    Um guerreiro responsvel foi capaz de observar e treinar.
Foi, inclusive, capaz de ser "irresponsvel": as vezes deixou-
se levar pela situao, e no respondeu, nem reagiu.
    Mas aprendeu as lies; tomou uma atitude, ouviu um
conselho, teve a humildade de aceitar ajuda.
    Um guerreiro responsvel no  o que coloca sobre seus
ombros o peso do mundo;  aquele que aprendeu a lidar com os
desafios do instante.
    Um guerreiro da luz nem sempre pode escolher o seu campo
de batalha. s vezes  colhido de surpresa, no meio de combates
que no desejava; mas no adianta fugir, porque estes combates
o seguiro.
    Ento, no momento em que o conflito  quase inevitvel,
o guerreiro conversa com seu adversrio. Sem demonstrar medo
ou covardia, procura saber porque o outro quer a luta; que coisas
o fizeram sair de sua aldeia e procur-lo para um duelo. Sem
desembainhar a espada, o guerreiro o convence que aquele
combate no  seu.
    Um guerreiro da luz escuta o que seu adversrio tem a dizer.
E s luta se for necessrio.
    O guerreiro da luz fica apavorado, diante de decises
importantes.
     "Isto  grande demais para voc", diz um amigo. "V em
frente, tenha coragem", diz outro. E suas dvidas aumentam.
    Depois de alguns dias de angstia, ele recolhe-se ao canto de
sua tenda, onde costuma sentar-se para meditar e orar. V a si
mesmo no futuro. V as pessoas que sero beneficiadas e
prejudicadas por sua atitude. Ele no quer causar sofrimentos
inteis, mas tampouco quer abandonar o caminho.
    O guerreiro ento deixa que a deciso se manifeste. Se for
preciso dizer sim, ele dir com coragem. Se for preciso dizer
no, ele dir sem covardia.
    Um guerreiro da luz assume por inteiro sua Lenda Pessoal.
Ento ele se defronta com dois inimigos severos: a vaidade e a
culpa.
      Seus companheiros comentam: "sua f  admirvel!".
     O guerreiro fica orgulhoso por alguns momentos, e logo
envergonha-se do que escutou, porque no tem a f que
demonstra.
    Neste momento seu anjo sussurra: " voc  apenas um
instrumento da luz. No h motivos para se vangloriar, nem
para sentir-se culpado; h motivo apenas para a alegria".
    E o guerreiro da luz, consciente que  um instrumento, fica
mais tranqilo e seguro.
       "Hitler pode ter perdido a guerra no campo de batalha,
mas terminou ganhando algo", diz M. Halter. "Porque o
homem do sculo XX criou o campo de concentrao e
ressuscitou a tortura, e ensinou aos semelhantes que  possvel
fechar os olhos para as desgraas dos outros".
    Talvez ele tenha razo: existem crianas abandonadas, civis
massacrados, inocentes nos crceres, velhos solitrios, bbados
na sarjeta, loucos no poder.
    Mas talvez ele no tenha nenhuma razo: existem os
guerreiros da luz.
    E os guerreiros da luz jamais aceitam o que  inaceitvel.
   O guerreiro da luz nunca esquece o velho ditado: o bom
cabrito no berra.
   As injustias acontecem. Todos so envolvidos por situaes
que no merecem - geralmente quando no podem se defender.
    Nestas horas, o guerreiro fica em silncio. No gasta
energia em palavras, porque elas no podem fazer nada; 
melhor usar as foras para resistir, ter pacincia, e saber que
Algum est olhando. Algum que viu o sofrimento injusto, e
no se conforma com isto.
   Este Algum d ao guerreiro o que ele mais precisa: tempo.
Cedo ou tarde, tudo voltar a trabalhar a seu favor.
   Um guerreiro da luz  sbio; No comenta suas derrotas.
    Uma espada pode durar pouco. Mas o guerreiro precisa
durar muito.
    Por isso no se deixa enganar por sua prpria capacidade, e
evita ser apanhado de surpresa. Ele d a cada coisa o valor que
ela merece ter.
     Muitas vezes, diante de assuntos graves, o demnio sopra
em seu ouvido: "no se preocupe com isto, porque no  srio".
     Outras vezes, diante de coisas banais, o demnio lhe diz:
"voc precisa dedicar todas a sua energia para resolver esta
situao".
    O guerreiro no escuta o demnio est dizendo.
    Ele  o mestre de sua espada.
    Um guerreiro da luz est sempre vigilante.
    No pede permisso aos outros para segurar sua espada;
simplesmente a toma nas mos. Tampouco perde tempo
explicando seus gestos; fiel s determinaes de Deus, ele
responde pelo que faz.
     Olha para os lados, e identifica seus amigos. Olha para trs e
identifica seus adversrios.  implacvel com a traio, mas no
se vinga; apenas afasta os inimigos de sua vida, sem lutar com
eles alm do tempo necessrio.
    Um guerreiro no tenta parecer; ele .
    Um guerreiro no anda com quem lhe quer fazer mal. E
tampouco  visto em companhia daqueles que lhe desejam
"consolar".
    Evita quem s est ao seu lado em caso de derrota. Estes
falsos amigos querem provar que a fraqueza compensa.
    Sempre trazem ms notcias. Sempre tentam destruir a
confiana do guerreiro - sob o manto da "solidariedade".
     Quando o vem ferido, desmancham-se em lgrimas, mas -
no fundo do corao - esto contentes porque o guerreiro
perdeu uma batalha. No entendem que isto  parte do combate.
    Os verdadeiros companheiros de um guerreiro esto ao seu
lado em todos os momentos, nas horas difceis e nas horas
fceis.
       No comeo de sua luta, o guerreiro da luz afirmou: "eu
tenho sonhos".
    Depois de alguns anos, percebe que  possvel chegar onde
quer. Ele sabe que vai ser recompensado.
    Neste momento, fica triste. Conhece a infelicidade alheia, a
solido, as frustraes que acompanham grande parte da
humanidade. O guerreiro da luz ento acha que no merece o que
est para receber.
    O seu anjo sussurra: "entrega tudo". O guerreiro ajoelha-se, e
oferece a Deus as suas conquistas.
    A Entrega obriga o guerreiro a parar de fazer perguntas tolas,
e o ajuda a vencer a culpa.
    O guerreiro da luz tem a espada em suas mos.  ele
quem decide o que vai fazer, e o que no far em circunstncia
nenhuma.
    H momentos em que a vida o conduz para uma crise: ele 
forado a separar-se de coisas que sempre amou.
     Ento o guerreiro reflete. Verifica se est cumprindo a
vontade de Deus, ou se age por egosmo. Caso a separao esteja
mesmo no seu caminho, ele aceita sem reclamaes.
    Se, entretanto, tal separao for provocada pela
perversidade alheia, ele  implacvel em sua resposta.
    O guerreiro possui a arte do golpe, e a arte do perdo. Sabe
usar as duas com a mesma habilidade.
    O guerreiro da luz no cai na armadilha da palavra
"liberdade".
    Quando o seu povo est oprimido, a liberdade  um
conceito claro. Nessas horas, usando sua espada e escudo, luta
at perder o flego ou a vida. Diante da opresso, a liberdade 
simples de entender;  o oposto da escravido.
    Mas, as vezes o guerreiro escuta os mais velhos dizendo:
"quando parar de trabalhar, ficarei livre." Ento, depois de um
ano, os mais velhos reclamam: "a vida  apenas tdio e rotina."
Neste caso, a liberdade  difcil de entender; ela significa
ausncia de sentido.
    Um guerreiro da luz est sempre comprometido.  escravo
do seu sonho, e livre em seus passos.
    Um guerreiro da luz no fica repetindo sempre a mesma
luta - principalmente quando nota que no h avanos ou recuos.
    Se o combate, depois de algum tempo, no tem avanos nem
recuos, ele entende que  preciso sentar-se com o inimigo e
discutir uma trgua.
     Ambos j praticaram a arte da espada, e agora precisam
se entender.  um gesto de dignidade - e no de covardia. 
um equilbrio de foras, e uma mudana de estratgia.
    Traados os planos de paz, os guerreiros voltam para suas
casas. No precisam provar nada a ningum; combateram o
bom Combate, e mantiveram a f. Cada um cedeu um pouco,
aprendendo com isto a arte da negociao.
    Os amigos do guerreiro da luz perguntam de onde vem sua
energia. Ele diz: "do inimigo oculto".
    Os amigos perguntam quem .
   O guerreiro responde:"algum que no podemos ferir".
       Pode ser um menino que o derrotou numa briga na
infncia, a namorada que o deixou aos onze anos, o professor
que o chamava de burro.
    O inimigo oculto passa a ser um estmulo. Quando est
cansado, o guerreiro lembra-se que ele ainda no viu sua
coragem.
      No pensa em vingana, porque o inimigo oculto no faz
mais parte de sua histria. Pensa apenas em melhorar sua
habilidade, para que seus feitos corram o mundo e cheguem aos
ouvidos de quem o machucou no passado.
    A dor de ontem transformou-se na fora de hoje.
    Um guerreiro da luz sempre tem uma segunda chance na
vida.
    Como todos os outros homens e mulheres, ele no nasceu
sabendo manejar sua espada. Errou muitas vezes antes de
descobrir sua Lenda Pessoal.
    Nenhum guerreiro pode sentar-se em torno da fogueira, e
dizer aos outros: " sempre agi certo." Quem afirma isto est
mentindo, e ainda no aprendeu a conhecer a si mesmo. O
verdadeiro guerreiro da luz j cometeu injustias no passado.
    Mas, no decorrer da jornada, percebe que as pessoas com
quem agiu errado sempre tornam a cruzar com ele.
     sua chance de corrigir o mal que causou. Ele a utiliza
sempre, sem hesitar.
     Um guerreiro  simples como as pombas, e prudente como
as serpentes. Quando se rene para conversar, no julga o
comportamento dos outros.
     Ele sabe que as trevas utilizam uma rede invisvel para
espalhar seu mal. Esta rede pega qualquer informao solta no
ar, e a transforma na intriga e a inveja que parasitam na alma
humana.
     Assim, tudo que  dito a respeito de algum, sempre termina
chegando aos ouvidos dos inimigos desta pessoa, acrescida da
carga tenebrosa de veneno e maldade.
     Por isso o guerreiro, quando fala das atitudes de seu irmo,
imagina que ele est presente, escutando o que diz.
    Assim diz o Brevirio da Cavalaria Medieval:
    "A energia espiritual do Caminho utiliza a justia e a
pacincia para preparar teu esprito.
    "Este  o Caminho do Cavaleiro. Um caminho fcil e ao
mesmo tempo difcil, porque obriga a deixar de lado as coisas
inteis, e as amizades relativas. Por isso, no comeo, sente-se
tanta hesitao em segui-lo.
    "Eis o primeiro ensinamento da Cavalaria: tu irs apagar o
que at ento tinhas escrito no caderno de tua vida:
inquietao, insegurana, mentira. E iras escrever, no lugar disto
tudo, a palavra coragem. Comeando a jornada com esta palavra,
e seguindo com a f em Deus, chegars onde precisas".
    Quando o momento do combate se aproxima, o guerreiro da
luz est preparado para todas as eventualidades. Analisa cada
estratgia, e pergunta: "o que eu faria se tivesse que lutar comigo
mesmo?"
    Desta maneira, descobre seus pontos fracos.
     Neste momento, o adversrio se aproxima; traz a bolsa cheia
de promessas, tratados, negociaes. Tem propostas tentadoras e
alternativas fceis.
     O guerreiro analisa cada uma das propostas; tambm procura
um acordo, mas sem perder a dignidade. Se evitar o combate,
no o far porque foi seduzido - mas porque achou que esta era a
melhor estratgia.
    Um guerreiro da luz no aceita presentes de seu inimigo.
    Ento eu repito:
    Os guerreiros da luz se reconhecem pelo olhar. Esto no
mundo, fazem parte do mundo, e ao mundo foram enviados sem
alforge e sem sandlias. Muitas vezes so covardes. Nem sempre
agem certo.
    Os guerreiros da luz sofrem por bobagens, se preocupam
com coisas mesquinhas, se julgam incapazes de crescer. Os
guerreiros da Luz de vez em quando se acreditam indignos de
qualquer beno ou milagre.
    Os guerreiros da luz com freqncia perguntam o que esto
fazendo aqui. Muitas vezes acham que suas vidas no tm
sentido.
    Por isso so guerreiros da luz. Porque erram.Porque
perguntam. Porque continuam a procurar um sentido. E
terminaro encontrando.
    O guerreiro da luz est agora despertando de seu sono.
      Ele pensa: "no sei lidar com esta luz, que me faz
crescer". A luz, entretanto, no desaparece.
      O guerreiro pensa: "sero necessrias mudanas que eu
no tenho vontade de fazer".
      A luz continua l - porque a vontade  uma palavra
cheia de truques.
    Ento os olhos e o corao do guerreiro comeam a se
acostumar com a luz. Ela j no assusta; passa a aceitar sua
Lenda, mesmo que isto signifique correr riscos.
    O guerreiro esteve dormindo por muito tempo.  natural que
v despertando aos poucos.
    O lutador experiente aguenta insultos; conhece a fora do
seu punho, a habilidade de seus golpes. Diante do oponente
despreparado, ele o olha no fundo dos olhos. E vence sem
precisar trazer a luta para o plano fsico.
     medida que o guerreiro aprende com seu mestre espiritual,
a luz da f tambm brilha em seus olhos, e ele no precisa
provar nada para ningum. No importa os argumentos
agressivos do adversrio - dizendo que Deus  superstio, que
milagres so truques, que acreditar em anjos  fugir da realidade.
    Assim como o lutador, o guerreiro da luz conhece sua
imensa fora; e jamais luta com quem no merece a honra do
combate.
    O guerreiro da luz deve sempre lembrar-se das cinco regras
do combate, escritas por Chuan Tzu h trs mil anos:
       A f: antes de entrar numa batalha,  preciso acreditar no
motivo da luta.
       O Companheiro: escolha seus aliados e aprenda a lutar
acompanhado, porque ningum vence uma guerra sozinho.
       O tempo: uma luta no inverno  diferente de uma luta no
vero; um bom guerreiro presta ateno ao momento certo de
entrar no combate.         O espao: no se luta num desfiladeiro
da mesma maneira que numa plancie. Considere o que
existe a sua volta, e a melhor maneira de mover-se.
       A estratgia: o melhor guerreiro  aquele que planeja seu
combate.
    O guerreiro raramente sabe o resultado de uma batalha
quando esta acaba.
       O movimento da luta gerou muita energia a sua volta, e
existe um momento onde tanto a vitria como a derrota ainda
so possveis. O tempo ir lhe dizer se venceu ou perdeu;
mas ele sabe que, a partir daquele momento, no se pode fazer
mais nada. O destino daquela luta est nas mos de Deus.
    Nestes momentos, o guerreiro da luz no fica preocupado
com os resultados. Examina seu corao e pergunta: "combati o
Bom Combate?" Se a resposta  positiva, ele descansa. Se a
resposta  negativa, ele pega a sua espada e comea a treinar de
novo.
    O guerreiro da luz contem em si a centelha de Deus. O seu
destino  estar junto com outros guerreiros, mas - s vezes -
precisar praticar, solitrio, a arte da espada.
    Por isso, quando separado dos companheiros, comporta-se
como uma estrela. Ilumina a parte do Universo que lhe foi
destinada, e tenta mostrar galxias e mundos a todos que
olham para o cu.
     A persistncia deste guerreiro ser em breve
recompensada. Aos poucos, outros guerreiros se aproximam,
reunindo-se em constelaes, com seus smbolos e seus
mistrios.
       As vezes o guerreiro da luz tem a impresso de viver duas
vidas ao mesmo tempo.
       Em uma delas,  obrigado a fazer tudo que no quer, lutar
por idias nas quais no acredita. Mas existe uma outra vida, e
ele a descobre em seus sonhos, leituras, encontros com gente que
pensa como ele.
    O guerreiro vai permitindo que suas duas vidas se
aproximem.
     "H uma ponte que liga o que eu fao com o que eu
gostaria de fazer", pensa. Aos poucos, os seus sonhos vo
tomando conta da sua rotina, at que ele percebe que est pronto
para o que sempre quis.
       Ento, basta um pouco de ousadia - e as duas vidas se
transformam numa s.
       Escreva de novo o que j lhe disse:
       O guerreiro da luz precisa de tempo para si mesmo. E
usa este tempo para o descanso, a contemplao, o contacto com
a Alma do Mundo. Mesmo no meio de um combate, ele consegue
meditar.
    Em algumas ocasies, o guerreiro senta-se, relaxa, e deixa
que tudo que est acontecendo ao seu redor continue
acontecendo. Olha o mundo como se fosse um espectador, no
tenta crescer nem diminuir - apenas entregar-se sem resistncia
ao movimento ao seu redor.
    Aos poucos, tudo que parecia complicado comea a
tornar-se simples. E o guerreiro se alegra.
    O guerreiro toma cuidado com as pessoas que acham que
podem controlar o mundo, determinar seus prprios passos, e
esto certas de conhecer o caminho. Elas esto sempre to
confiantes em sua prpria capacidade de decidir, que no
percebem a ironia com que o destino escreve a vida de cada um.
       O guerreiro da luz tem sonhos. Seus sonhos o levam
adiante. Mas ele jamais comete o erro de pensar que o caminho
 fcil e a porta  larga.
       Sabe que o Universo funciona como funciona a
alquimia: solve et coagula, diziam os mestres."Concentra e
dispersa Tuas energias, de acordo com a situao".
       Existem momentos de agir, e momentos de aceitar.
        O guerreiro da luz, quando aprende a manejar sua
espada, descobre que seu equipamento precisa ser completo - e
isto inclui uma armadura.
    Ele sai em busca da sua armadura, e escuta a proposta de
vrios vendedores.
     "Use a couraa da solido", diz um.
    "Use o escudo do cinismo", responde outro.
     "A melhor armadura  no se envolver em nada", afirma um
terceiro.
    O guerreiro, porm, no d ouvidos. Com serenidade, vai at
seu lugar sagrado e veste o manto indestrutvel da f.
    A f apara todos os golpes. A f transforma o veneno em
gua cristalina.
    "Vivo acreditando em tudo que as pessoas me dizem, e
sempre me decepciono", costumam dizer os companheiros.
     importante confiar nas pessoas; um guerreiro da luz no
tem medo de decepes - porque conhece o poder de sua espada,
e a fora do seu amor.
    Entretanto, ele consegue impor seus limites: uma coisa 
aceitar os sinais de Deus, e entender que os anjos usam a boca
de nosso prximo para nos dar conselhos. Outra coisa  ser
incapaz de tomar decises, e estar sempre procurando uma
maneira de deixar que os outros nos digam o que devemos fazer.
    Um guerreiro confia nos outros. porque - primeiro - confia
em si.
    O guerreiro da luz olha a vida com doura e firmeza. Est
diante de um mistrio, cuja resposta encontrar um dia.
    Volta e meia, diz para si mesmo: "mas esta vida parece uma
loucura".
    Ele tem razo. Entregue ao milagre do cotidiano, nota que
nem sempre  capaz de prever as consequncias de seus atos. As
vezes age sem saber que est agindo, salva sem saber que est
salvando, sofre sem saber por que est triste.
    Sim, esta vida  uma loucura. Mas a grande sabedoria do
guerreiro da luz consiste em escolher bem a sua loucura.
    O guerreiro da luz contempla as duas colunas que esto ao
lado da porta que pretende abrir. Uma se chama Medo, outra se
chama Desejo.
    O guerreiro olha para a coluna do Medo, e ali est escrito:
"voc vai entrar num mundo desconhecido e perigoso, onde tudo
que aprendeu at agora no servir para nada."
    O guerreiro olha para a coluna do Desejo, e ali est escrito:
"voc vai sair de um mundo conhecido, onde esto guardadas
as coisas que sempre quis, e pelas quais lutou tanto."
    O guerreiro sorri - porque no existe nada que o assuste, e
nada que o prenda. Com a segurana de quem sabe o que quer,
ele abre a porta.
    Um guerreiro da luz pratica um poderoso exerccio de
crescimento interior: presta ateno em coisas que faz
automaticamente - como respirar, piscar os olhos, ou reparar
nos objetos a sua volta.
    Faz isto quando sente-se confuso. Assim, liberta-se das
tenses, e deixa sua intuio trabalhar com mais liberdade - sem
interferncia de seus medos ou desejos. Certos problemas que
pareciam insolveis terminam sendo resolvidos, certas dores que
julgava insuperveis se dissipam sem esforo.
    Quando precisa enfrentar uma situao difcil, usa esta
tcnica. Exige um pouquinho de disciplina - mas os resultados
so surpreendentes.
    O guerreiro da luz escuta comentrios como: "eu no quero
falar certas coisas, porque as pessoas so invejosas".
    Ao ouvir isto, o guerreiro ri. A inveja no pode causar
nenhum dano - se no for aceita. A inveja faz parte da vida, e
todos precisam aprender a lidar com ela.
    Entretanto, ele raramente fala dos seus planos. E as vezes as
pessoas acham que tem medo da inveja.
    No  isto: ele conhece o poder das palavras. Cada vez que
fala de um sonho, usa um pouco da energia deste sonho para
se expressar. E, de tanto falar, corre o risco de gastar a energia
necessria para agir.
     Um guerreiro da luz conhece o poder das palavras.
    O guerreiro da luz conhece o valor da persistncia e da
coragem. Muitas vezes, durante o combate, ele recebe golpes que
no estava esperando.
    Sabe que - durante a guerra - o inimigo vencer algumas
batalhas. Quando isto acontece, ele chora suas mgoas, e
descansa para recuperar um pouco as energias. Mas
imediatamente volta a lutar por seus sonhos.
    Porque, quanto mais tempo permanecer afastado, maiores
so as chances de sentir-se fraco, medroso, intimidado. Quando
um cavaleiro cai do cavalo e no torna a mont-lo no minuto
seguinte, jamais ter coragem de faz-lo novamente.
    Um guerreiro sabe o que vale a pena. Ele decide suas aes
usando a inspirao e a f.
    Entretanto, encontra pessoas que o chamam para atuar em
lutas que no so as suas, em campos de batalha que ele no
conhece - ou que no lhe interessa. Elas querem envolver o
guerreiro da luz em desafios que so importantes para elas - mas
no para ele.
    Muitas vezes so pessoas prximas, que gostam do
guerreiro, confiam da sua fora, e - como esto ansiosas - querem
sua ajuda de qualquer maneira.
    Nestes momentos, ele sorri e demonstra o seu amor - mas no
aceita a provocao.
     Um verdadeiro guerreiro da luz sempre escolhe seu campo
de batalha.
      O guerreiro da luz sabe perder. Ele no trata a derrota
como algo indiferente, usando frases como "bem, isto no era
to importante", ou "na verdade, eu no queria mesmo isto".
    Aceita a derrota como uma derrota - e no tenta transform-
la em vitria. Amarga a dor dos ferimentos, a indiferena dos
amigos, a solido da perda. Nestes momentos, diz para si
mesmo: "lutei por algo, e no consegui. Perdi a primeira
batalha".
    Esta frase lhe d novas foras. Ele sabe que ningum ganha
sempre - mas os corajosos sempre ganham no final.
       Quando se quer uma coisa, o Universo inteiro conspira a
favor. O guerreiro da luz sabe disso.
     Por esta razo, toma muito cuidado com seus pensamentos.
Escondidos debaixo de uma srie de boas intenes esto desejos
que ningum ousa confessar a si mesmo: a vingana, a
autodestruio, a culpa, o medo da vitria, a alegria macabra com
a tragdia dos outros.
   O Universo no julga: conspira a favor do que desejamos. Por
isso, o guerreiro tem coragem de olhar para as sombras de sua
alma; procura ilumin-las com a luz do perdo.
       E toma sempre muito cuidado com o que pensa.
    Jesus dizia: "que o seu sim seja sim, e que o seu no seja
no". Quando o guerreiro assume uma responsabilidade, mantm
sua palavra.
    Os que prometem - e no cumprem - perdem o respeito
prprio, tem vergonha de seus atos. A vida destas pessoas
consiste em fugir. Elas gastam muito mais energia desonrando
a palavra, que o guerreiro da luz usa para manter seus
compromissos.
    As vezes tambm ele assume uma responsabilidade boba, que
resultar em prejuzo. No torna a repetir esta atitude - mas,
mesmo assim, honra sua palavra e paga o preo de sua
impulsividade.
    Quando vence uma batalha, o guerreiro comemora. Esta
vitria custou momentos difceis, noites de dvidas,
interminveis dias de espera. Desde os tempos antigos, celebrar
um triunfo faz parte do prprio ritual da vida.
    A comemorao  um rito de passagem.
    Os companheiros olham a alegria do guerreiro da luz, e
pensam: "por que faz isto? Pode decepcionar-se em seu prximo
combate. Pode atrair a fria do inimigo".
    Mas o guerreiro sabe o motivo de seu gesto. Ele se beneficia
do melhor presente que a vitria  capaz de trazer: confiana.
    Celebra hoje sua vitria de ontem, para ter mais foras na
batalha de amanh.
       Um dia, sem qualquer aviso, o guerreiro descobre que luta
sem o mesmo entusiasmo de antes. Continua fazendo tudo
fazia, mas cada gesto parece que perdeu o sentido.
    Neste momento, ele s tem uma escolha: continuar
praticando o Bom Combate. Faz as suas preces por obrigao, ou
por medo, ou seja l por que motivo for - mas no interrompe o
seu caminho.
    Sabe que o anjo Daquele que o inspira est dando um
passeio. O guerreiro mantem a ateno voltada para sua luta, e
insiste - mesmo quando tudo parece intil. Daqui a pouco o
anjo retorna, e o simples barulho de suas asas far com que tudo
volte a ser como era.
       Um guerreiro da luz compartilha com o outro o que sabe
do caminho. Quem ajuda, sempre  ajudado.
    Precisa ensinar o que aprendeu. Senta-se ao redor da
fogueira e conta como foi o seu dia de luta.
    Um amigo sussurra: "por que falar to abertamente de sua
estratgia? No v que, agindo assim, corre o risco de ter que
dividir suas conquistas com os outros?"
    O guerreiro apenas sorri, e no responde. Sabe que, se chegar
ao final da jornada num paraso vazio, sua luta no ter valido a
pena.
    O guerreiro da luz aprendeu que Deus usa a solido, para
ensinar a convivncia. Usa a raiva, para mostrar o infinito valor
da paz. Usa o tdio, para ressaltar a importncia da aventura e do
abandono.
    Deus usa o silncio, para ensinar sobre a responsabilidade
das palavras. Usa o cansao, para que se possa compreender o
valor do despertar. Usa a doena, para ressaltar a beno da
sade.
    Deus usa o fogo para ensinar sobre a gua. Usa a terra, para
que se compreenda o valor do ar. Usa a morte, para mostrar a
importncia da vida.
    O guerreiro da luz d antes que lhe peam.
       Quando vem isto, algumas pessoas comentam: "quem
est precisando, pede".
       Mas o guerreiro sabe que existe muita gente no consegue
- simplesmente no consegue - pedir ajuda.
    Por isso ele compartilha seu dinheiro e sua companhia. Ao
seu lado existem pessoas cujo corao est to frgil, que
comeam a viver amores doentios; esto com fome de afeto, e
tem vergonha de demonstrar isto.
    O guerreiro as rene em volta da fogueira, conta histrias,
divide seu alimento, embriaga-se junto com elas. No dia seguinte,
todos se sentem melhor.
    Aqueles que olham a misria com indiferena, so os mais
miserveis.
     As cordas que esto sempre tensas terminam desafinando.
Os guerreiros que esto sempre treinando, perdem a
espontaneidade na luta. Os cavalos que sempre saltam obstculos
terminam quebrando a perna. Os arcos que so curvados todos os
dias, j no atiram suas flechas com a mesma fora.
     Por isso, mesmo que no esteja disposto, o guerreiro da luz
faz um esforo para se divertir com as pequenas coisas do dia-a-
dia.
       O guerreiro da luz escuta Lao Tzu, quando ele diz que
devemos nos desligar da idia de dias e horas, para prestar cada
vez mais ateno ao minuto.
    S assim, ele consegue resolver certos problemas antes que
eles aconteam. Prestando ateno nas pequenas coisas, consegue
se resguardar das grandes calamidades.
    Mas pensar nas pequenas coisas, no significa pensar
pequeno. Uma preocupao exagerada termina eliminando
qualquer trao de alegria da vida.
    O guerreiro sabe que um grande sonho  composto de muitas
coisas diferentes, assim como a luz do sol  a soma de seus
milhes de raios.
    H momentos em que o caminho do guerreiro passa por
perodos de rotina. Ento ele aplica um ensinamento de Nachman
de Bratzlav:
    "Se voc no consegue meditar, deve repetir apenas uma
simples palavra, porque isto faz bem a alma. No diga nada
mais, apenas repita esta palavra sem parar, incontveis vezes.
Ela terminar perdendo seu sentido, e depois ganhar um
significado novo. Deus abrir as portas, e voc terminar
usando esta simples palavra para dizer tudo o que queria".
    Quando  forado a fazer a mesma tarefa vrias vezes, o
guerreiro utiliza esta ttica, e transforma o seu trabalho em
orao.
    Um guerreiro da luz no tem "certezas", mas um caminho a
seguir - ao qual procura adaptar-se de acordo com o tempo.
    Luta no vero com equipamentos e tcnicas diferentes da luta
no inverno. Sendo flexvel, ele no julga mais o mundo na base
do "certo" e "errado", e sim na base da "atitude mais apropriada
para aquele momento".
    Sabe que seus companheiros tambm tm que adaptar-se, e
no fica surpreso quando eles mudam de atitude. D a cada um o
tempo necessrio para justificar suas aes.
    Mas  implacvel com a traio.
    Um guerreiro senta-se ao redor da fogueira com seus amigos.
Passam horas acusando-se mutuamente, mas terminam a noite
dormindo na mesma tenda, e esquecendo as ofensas que foram
ditas.
    De vez em quando, aparece um recm-chegado no grupo.
Porque ainda no tem uma histria em comum, mostra apenas
suas qualidades, e alguns o vem como um mestre.
    Mas o guerreiro da luz jamais o compara com seus velhos
companheiros de batalha. O estrangeiro  bem-vindo, mas s
confiar nele quando souber tambm os seus defeitos.
                    Um guerreiro da luz no entra numa batalha
sem conhecer os limites de seu aliado.
         O guerreiro conhece uma velha expresso popular:" se
arrependimento matasse..."
     E sabe que arrependimento mata; vai lentamente corroendo a
alma de quem fez algo errado, e leva  autodestruio.
       O guerreiro no quer morrer desta maneira. Quando age
com perversidade ou maldade - porque  um homem cheio de
defeitos - ele no tem vergonha de pedir perdo.
       Se ainda  possvel, usa seus esforos para reparar o mal
que fez. Se a pessoa a quem atingiu j est morta, ele faz o bem a
um estranho, e oferece a tarefa em inteno  alma do
injustiado.
    Um guerreiro da luz no se arrepende, porque
arrependimento mata. Ele humilha-se, e conserta o mal que
causou.
    Todos os guerreiros da luz j escutaram a me dizendo:
"meu filho fez isto porque perdeu a cabea, mas - no fundo - 
uma pessoa muito boa".
       Embora respeite sua me, ele sabe que no  assim Embora
no fique se culpando seus atos impensados, tampouco vive se
perdoando por tudo de errado que faz - pois desta maneira jamais
corrigir seu caminho.
       Ele usa o bom senso para julgar o resultado de seus atos - e
no as intenes que teve ao execut-lo. Assume tudo o que faz,
mesmo que pague um preo alto por seu erro.
       Diz um velho provrbio rabe: " Deus julga a rvore por
seus frutos, e no por suas razes".
      Antes de tomar uma deciso importante - declarar uma
guerra, mudar-se com seus companheiros para outra plancie,
escolher um campo para semear, o guerreiro pergunta a si
mesmo: "como isto ir afetar a quinta gerao de meus
descendentes?"
      Um guerreiro sabe que os atos de cada pessoa tm
conseqncias que se prolongam por muito tempo, e precisa
saber que mundo est deixando para a sua quinta gerao.
       "No faa tempestades num copo d'gua", algum adverte
o guerreiro da luz. Mas ele nunca exagera um momento difcil, e
procura sempre manter a calma necessria.
       Entretanto, no julga a dor alheia.
        Um pequeno detalhe - que em nada o afeta - pode servir
de estopim para a tormenta que se preparava na alma de seu
irmo. O guerreiro respeita o sofrimento do prximo, e no tenta
compar-lo com o seu.
       A taa de sofrimentos no  do mesmo tamanho para todo
mundo.
        "A primeira qualidade do caminho espiritual  a coragem",
dizia Gandhi.
        O mundo parece ameaador e perigoso para os covardes.
Estes procuram a segurana mentirosa de uma vida sem grandes
desafios, e se armam at os dentes para defender aquilo que
julgam possuir. Os covardes terminam construindo as grades da
prpria priso.
        O guerreiro da luz projeta seu pensamento para alm do
horizonte. Sabe que, se no fizer nada pelo mundo, ningum mais
o far.
        Ento, participa do Bom Combate, e ajuda os outros,
mesmo sem entender direito porque faz isto.
       O guerreiro da luz l com ateno um texto que a Alma do
Mundo enviou a Chico Xavier:
       "Quando voc conseguir superar graves problemas de
relacionamento, no se detenha na lembrana dos momentos
difceis, mas na alegria de haver atravessado mais esta prova em
sua vida. Quando sares de um longo tratamento de sade, no
pensa no sofrimento que foi necessrio enfrentar, mas na beno
de Deus que permitiu a cura.
       "Leva na sua memria, para o resto da vida, as coisas boas
que surgiram nas dificuldades. Elas sero uma prova de sua
capacidade, e lhe daro confiana na presena Divina, que nos
auxilia em qualquer situao, em qualquer tempo, diante de
qualquer obstculo".
       O guerreiro da luz sabe que, como dizem os tibetanos,
"no  preciso uma experincia mstica para descobrir que o
mundo  bom". Basta perceber as coisas belas e simples a sua
volta.
       Quando tem medo, o guerreiro concentra-se nos pequenos
milagres da vida diria. Se for capaz de ver o que  belo, 
porque traz a beleza dentro de si - j que o mundo  um espelho,
e devolve a cada homem o reflexo de seu prprio rosto.
       Embora conhecendo seus defeitos e limitaes, o guerreiro
faz o possvel para manter o bom-humor nos momentos de crise.
Afinal de contas, o mundo est se esforando para ajud-lo,
mesmo que tudo em volta parea dizer o contrrio.
     Existe um lixo emocional: ele  produzido nas usinas do
pensamento. So dores que j passaram, e agora no tem mais
utilidade. So precaues que foram importantes no passado -
mas de nada servem no presente.
     O guerreiro tambm possui suas lembranas, mas consegue
separar o que  til do que  desnecessrio. Ele joga fora o seu
lixo emocional.
     Diz um companheiro: "mas isto faz parte de minha histria.
Por que devo abandonar sentimentos que marcaram minha
existncia?".
     O guerreiro sorri, e segue adiante - sem procurar sentir coisas
que j no est mais sentindo. Ele est mudando - e quer que seus
sentimentos o acompanhem.
    Diz o mestre para o guerreiro, quando o v deprimido:
       "Voc no  aquilo que aparece nos momentos de tristeza.
Voc  muito mais que isso.
    "Enquanto muitos partiram - por razoes que nunca vamos
compreender - voc continua aqui. Por que Deus levou pessoas
to incrveis, e deixou voc?
    "Neste momento, milhes de pessoas j desistiram. No se
aborrecem, no choram, no fazem mais nada; apenas esperam
o tempo passar. Perderam a capacidade de reagir.
    "Voc, porm, est triste. Isto prova que sua alma continua
viva.
    "E se sua alma continua viva, o Paraso  possvel".
    As vezes, depois de uma batalha que parece no ter fim, o
guerreiro tem uma idia e consegue vencer em matria de
segundos. Ento pensa: "Por que sofri tanto tempo, num combate
que j podia ter sido resolvido com metade da energia que
gastei?"
    Na verdade, todo problema - depois de resolvido - parece
muito simples. A grande vitria, que hoje parece fcil, foi o
resultado de uma srie de pequenas vitrias que passaram
despercebidas.
    Ento o guerreiro entende o que aconteceu, e dorme
tranquilo. Ao invs de culpar-se pelo fato de haver demorado
tanto tempo para chegar onde queria, alegra-se por saber que
terminou chegando.
    Existem dois tipos de prece.
    O primeiro tipo  aquele onde se pede que determinadas
coisas aconteam, tentando dizer a Deus o que Ele deve fazer.
No se d nem tempo, nem espao para o Criador atuar. Deus -
que sabe muito bem o que  melhor para cada um - vai
continuar agindo como Lhe convm. E aquele que reza, fica com
a sensao que no foi ouvido.
       O segundo tipo de prece  aquele em que, mesmo sem
compreender os caminhos do Alto, o homem deixa que se
cumpra em sua vida os desgnios do Criador. Pede para ser
poupado do sofrimento, pede alegria no Bom Combate, mas no
esquece de dizer em nenhum momento: "seja feita a Vossa
vontade".
       O guerreiro da luz reza desta segunda maneira.
     O guerreiro sabe que as palavras mais importantes em todas
as lnguas so palavras pequenas.
     Sim. Amor. Deus.
     So palavras que saem com facilidade, e preenchem
gigantescos espaos vazios.
     Entretanto, existe uma palavra - tambm muito pequena -
que muita gente tem dificuldade em dizer: no.
     Quem jamais diz no, acha-se generoso, compreensivo,
educado; porque o no tem fama de maldito, egosta,pouco
espiritual.
     O guerreiro no cai nesta armadilha. H momentos em que -
ao dizer sim para os outros - ele pode estar dizendo no para si
mesmo.
     Por isso, jamais diz um sim com os lbios, se o seu corao
est dizendo no.
    Primeiro: Deus  sacrifcio. Sofra nesta vida, e ser feliz na
prxima.
    Segundo: quem se diverte  criana. Viva sob tenso.
    Terceiro: os outros sabem o que  melhor para ns, porque
tem mais experincia.
    Quarto: nossa obrigao  deixar os outros contentes. 
preciso agrad-los, mesmo que isto signifique renncias
importantes.
    Quinto:  preciso no beber da taa da felicidade, seno
podemos gostar - e nem sempre a teremos em nossas mos.
    Sexto:  preciso aceitar todos os castigos. Somos culpados.
    Stimo: o medo  um alerta. No vamos correr riscos.

   Estes so os mandamentos que nenhum guerreiro da luz pode
obedecer.
    Um grupo muito grande de pessoas est no meio da estrada,
barrando o caminho que leva ao Paraso.
      O puritano pergunta: "Por que os pecadores?".
      E o moralista berra: "a prostituta quer fazer parte do
banquete!".
      Grita o guardio dos valores sociais: "como perdoar a
mulher adltera, se ela pecou?".
      O penitente rasga suas roupas: "por que curar um cego que
s pensa em sua doena e nem sequer agradece?".
    Esperneia o asceta: "tu deixas que a mulher derrame em teus
cabelos um leo caro! Por que no vend-lo e comprar
comida?".
    Sorrindo, Jesus segura a porta aberta. E os guerreiros da luz
entram, independente da gritaria histrica.
     O adversrio  sbio.
        Sempre que pode, ele lana mo de sua arma mais fcil e
mais efetiva: a intriga. Quando a utiliza, no precisa fazer muito
esforo - porque outros esto trabalhando para ele. Com palavras
mal dirigidas, o so destrudos meses de dedicao, anos em
busca de harmonia.
     Frequentemente o guerreiro da luz  vtima desta armadilha.
No sabe de onde vem o golpe, e no tem como provar que a
intriga  falsa. A intriga no permite o direito de defesa:
condena sem julgamento.
     Ento ele agenta as consequncias e as punies imerecidas
- pois a palavra tem poder, e ele sabe disto.
     Mas sofre em silncio, e jamais usa a mesma arma para atacar
seu adversrio. Um guerreiro da luz no  covarde.
    "Dai ao tolo mil inteligncias, e ele no querer seno a tua",
diz o provrbio rabe. Quando o guerreiro da luz comea a
plantar o seu jardim, repara que o vizinho est ali, espiando. Ele
gosta de dar palpites sobre como semear as aes, adubar os
pensamentos, regar as conquistas.
     Se o guerreiro der ateno ao que ele est dizendo,
terminar fazendo um trabalho que no  o seu; o jardim que
agora cuida ser idia do vizinho.
     Mas um verdadeiro guerreiro da luz sabe que cada jardim
tem seus mistrios, que s a mo paciente do jardineiro  capaz
de decifrar. Por isso, prefere concentrar-se no sol, na chuva, nas
estaes.
    Sabe que o tolo que espia por cima da cerca para dar palpites
sobre o jardim alheio, no est cuidando de suas plantas.
    Para lutar,  preciso manter os olhos abertos. E ter
companheiros fiis ao seu lado.
       Mas acontece que, de repente, aquele que lutava junto com
o guerreiro da luz passa a ser seu adversrio.
       A primeira reao  de dio; mas o guerreiro sabe que o
combatente cego est perdido no meio da batalha.
       Ento procura ver as coisas boas que antigo aliado fez
durante o tempo em que conviveram. Tenta compreender o que o
levou  sbita mudana de atitude, quais os ferimentos que se
acumularam em sua alma. Busca descobrir o que fez um dos dois
desistir do dilogo.
    Ningum  totalmente bom ou mau; o guerreiro pensa
nisto, quando v que tem um novo adversrio.
       Um guerreiro sabe que os fins no justificam os meios.
Porque no existem fins; existem apenas os meios.
    A vida o carrega do desconhecido para o desconhecido. Cada
minuto est revestido deste apaixonante mistrio: o guerreiro
no sabe de onde veio, nem para onde vai.
    Mas sabe que no est aqui por acaso. E se alegra com a
surpresa, encanta-se com paisagens que no conhece. Muitas
vezes sente medo, mas isto  normal em um guerreiro.
    Se ele pensar apenas na meta, no conseguir prestar ateno
aos sinais do caminho. Se concentrar-se em apenas uma
pergunta, perder vrias respostas que esto ao seu lado.
             Por isso o guerreiro se entrega.
O guerreiro sabe que existe o "efeito-cascata".
    J viu muitas vezes algum agindo errado com quem no
tinha coragem de reagir. Ento, por covardia e ressentimento,
esta pessoa descontou sua raiva em outro mais fraco, que
descontou em outro, at que uma verdadeira corrente de
infelicidade. Ningum sabe as conseqncias de suas prprias
crueldades.
    Por isso o guerreiro  cuidadoso no uso da espada, e s aceita
um adversrio que  digno dele. Nos momentos de raiva, ele d
socos na rocha e machuca a mo.
    A mo termina sarando; mas a criana que terminou
apanhando porque seu pai perdeu um combate, terminar
marcada pelo resto da vida.
       Um guerreiro da luz, quando percorre um caminho,
pergunta sempre ao seu corao: "se eu olhar para trs, ficarei
contente com as marcas que meus ps deixaram no cho? "
       Embora preocupado com o combate que tem adiante, ele
nunca perde a noo de sua responsabilidade no presente. Sabe
que cada gesto seu acarreta consequncias, e tem conscincia de
que estas consequncias so a sua herana.
             Por isso ele obedece aos sinais do tempo e do
espao. Em certos momentos estes sinais exigem que siga em
frente, sem pestanejar. Outra vezes pedem que o guerreiro
escolha em uma nova direo.
             Quando vem a ordem de mudana, o guerreiro v
todos os amigos que criou durante o tempo que seguiu o
caminho. A alguns ensinou como escutar os sinos de um templo
submerso, a outros contou histrias em torno da fogueira.
             Seu corao fica triste; mas ele sabe que sua espada
est consagrada, e deve obedecer as ordens Daquele  quem
ofereceu sua luta.
             Ento o guerreiro da luz agradece os companheiros
de jornada, respira fundo, e segue sozinho, carregado com
lembranas de uma jornada inesquecvel.
                                                      Eplogo




        J era noite quando ela acabou de falar. Os dois ficaram
olhando a lua que nascia.
       "Muitas coisas do que me disse se contradizem entre si", disse
ele.
       "Cada guerreiro saber usar a estratgia certa, no momento
em que precisa", respondeu a mulher.
       Ela levantou-se
       "Adeus", disse. "Voc sabia que os sinos no fundo do mar no
eram uma lenda; mas s foi capaz de escut-los quando percebeu
que o vento, as gaivotas, o barulho das folhas de palmeira, tudo
aquilo era parte do badalar dos sinos".
       "Da mesma maneira, o guerreiro da luz sabe que tudo a sua
volta - suas vitrias, suas derrotas, seu entusiasmo e seu desnimo -
faz parte do seu Bom Combate. E usa o instrumento que est ao seu
alcance, para viver sua Lenda Pessoal".
       "Quem  voc?" ele perguntou.
       Mas a mulher j se afastava, caminhando sobre as ondas do
mar.
